CAMPISMO E OPOSIÇÃO

Este parece um normal livro sobre campismo, mas as actividades de “ar livre” foram fomentadas e popularizadas em Portugal pelos comunistas e, em particular, pelo MUDJ. Militantes como Joaquim Campino e Alexandre Castanheira tiveram papel destacado na história associativa do campismo. Campino foi dirigente da Federação Portuguesa de Campismo, e muitos outros, participaram na fundação de clubes de campismo locais (p.e. João José Cochofel em Coimbra; José Vareda fundando o Clube de Campismo “Unidos” na Marinha Grande, em 1945; José Augusto Gouveia em Moscavide; Alexandre Antunes Pereira na Amadora; Carlos Pereira Soares no Porto; Joaquim Ferreira do Nascimento; Fernando Alves dos Santos, etc.).

Para além das vantagens de dispor de um sector que atraia os jovens e servia o recrutamento, os acampamentos eram um local privilegiado para realizar encontros políticos clandestinos.

Este volume da célebre Biblioteca Cosmos, organizada por Bento de Jesus Caraça, é um exemplo dessa influência. Escrito por Mário Mendes de Moura, estudante de agronomia, depois engenheiro, militante do MUDJ, membro da sua Comissão Central, preso em 1948, posteriormente exilado na Venezuela e no Brasil, e actualmente editor, não escondia no seu prefácio a sua preocupação com os “trabalhadores”. O mesmo tipo de interesses era partilhado pelo ilustrador Daniel Morais, ele próprio também membro do MUDJ e preso na mesma altura de Mário Moura, cujas ilustrações “citam” a linguagem gráfica das publicações comunistas.

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One comment

  1. Pedro Castaño

    Não sei se é do display do meu pc, mas as fotos estão em cima do texto

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