MORTE DE PAUL SWEEZY

02SWEEZ.jpg Morreu Paul Sweezy, activista politico, economista marxista, fundador da Monthly Review, e autor de vários livros. Necrologias detalhadas foram publicadas no Guardian e no New York Times.A polémica Paul Sweezy – Charles Bettelheim sobre as sociedades socialistas, a China e a URSS, no Tempo e o Modo de 1971, foi muito influente na nova geração de jovens marxistas que estavam a fazer a sua formação política nos últimos anos da ditadura. Data dessa altura, a publicação de Paul Sweezy / Charles Bettelheim, Sociedades de Transição: Luta de Classes e Ideologia Proletária, Porto, Portucalense Editora, 1971. A Portucalense Editora, antiga editora do Porto , nessa altura passou por herança a um militante de extrema-esquerda. O livro foi posteriormente apreendido pela PIDE /DGS. A orientação da colecção era Francisco Sardo, um dos fundadores da LCI.

Depois do 25 de Abril de 1974, Sweezy escreveu um pequeno livro sobre Portugal, A Luta de Classes em Portugal, Lisboa, Arcádia, 1975.

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One comment

  1. Sociedades de Transição: Luta de Classes e Ideologia Proletária foi um dos livros que mais marcaram a minha adolescência (foi aliás um dos livros que melhor me armou nessa altura contra a ideologia trotzkista). Está escrito de um modo extremamente acessível e, ainda hoje ao relê-lo, constato que, paradoxalmente, apesar de há muito tempo ter abandonado o marxismo, é um livro que traz um importantíssimo contributo inconsciente e indirecto para a questão fundamental e actual do papel da vontade na transformação da realidade. O velho problema (marxista e não só) do determinismo versus voluntarismo.
    Eis um pequeno excerto :
    « Mas a transformaçâo radical das relações dos trabalhadores entre si e com os seus meios de produção, o desaparecimento total das relações de produção burguesas e da divisão social do trabalho, não pode ser produto «espontâneo» do «desenvolvimento das forças produtivas». Essa transformação só pode ser o resultado de uma longa luta de classes conduzida sob a ditadura do proletariado, de uma luta de classe que se desenvolva numa via correcta, o que exige que ela seja guiada pelas concepções marxistas-leninistas nas suas formas mais desenvolvidas, quer dizer, tal como hoje se apresenta tendo em conta os ensinamentos da revolução chinesa. »

    Lembro-me de pensar o Paul Sweezy como um trotzkista inconsciente levado ao bom caminho do voluntarismo maoísta pelo valoroso Charles Bettelheim. E como a partir daí comprava todos os livros publicados por Charles Bettelheim (diversos volumes da « luta de classes na URSS » perdidos por diversos lugares ao longo do tempo). E continuo a pensar, já longe do marxismo-leninismo, e em pleno « militantismo » cristão, que Charles Bettelheim tinha razão.

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